domingo, 18 de dezembro de 2011

Sobre o filme "Em Nome de Deus"

 
O filme “Em Nome de Deus” retrata o dia-a-dia de um convento no qual mulheres trabalham de forma escrava. A Igreja justifica isto dizendo que as moças devem trabalhar, se privar de prazeres, viver uma vida cheia de regras para que possam pagar seus pecados. Muitos são os aspectos interessantes de se observar que circundam esta realidade. E é interessante relacionar a realidade vivida no convento com a realidade em que vivemos.

Em primeiro lugar o trabalho realizado dentro do convento era completamente inaceitável, mas visto com bons olhos pela sociedade, os próprios pais levavam suas filhas àquele lugar. Isto porque o convento e tudo que nele acontecia estava envolto num “embrulho” muito bonito, o do pagamento de pecados, da busca pela santidade.

Outro aspecto interessante é o dos mecanismos que prendiam as mulheres àquele lugar. O que prendiam elas ali eram muito mais os muros psicológicos do que os físicos. Isto fica evidente quando uma das personagens sai do convento, tem a chance de fugir, mas acaba voltando. Era o medo de sair, o medo de não ter para onde ir, o medo da represália dos familiares, o medo de ser mal vista pela sociedade. Para quem olha o filme, quem está de fora, com certeza valeria a pena fugir e correr os riscos, mas na pele da personagem, tudo fica mais difícil visto que sabemos o que o medo faz: paralisa, por mais irreal e injustificado que ele seja. Outro mecanismo usado é o de não permitir a comunicação entre as internas, não permitindo conversas e obrigando-as a trabalhar constantemente. É um mecanismo de alienação, no sentido marxista, visto que não teriam como tomar consciência de sua classe oprimida, já que não podiam trocar idéias, criar vínculos afetivos. Existia, ainda, a alienação no sentido comum, visto que não tinham acesso a nenhuma informação externa, não podiam manter nenhum contanto com alguém que estivesse fora do convento. Outra forma de evitar uma “revolução” empreendida pela classe oprimida eram os jogos e brincadeiras que raramente, pelo que mostra o filme, aconteciam, fazendo com que as internas se acostumassem de forma mais fácil com aquela realidade degradante.

Outro aspecto interessante é que as freiras, a classe dominante, também eram vítimas do Sistema que elas impunham às internas. Poderia se dizer que menos vítimas, mas também vítimas. Elas demonstravam realmente acreditar nos princípios que levavam a escravidão das internas, elas também sofreram sob a mão pesada da Igreja, se submetendo a privações afetivas, materiais. Talvez possa se dizer que elas não eram culpadas pelo que passavam as internas, talvez aqui possamos se usar de uma referência bíblica, quando Jesus, em seus estertores, disse das pessoas que lhe impunham o sofrimento e a morte “Eles não sabem o que fazem”. Vale o mesmo para as freiras, que impõe a escravidão porque foi a elas imposta uma “verdade” mentirosa.

A nossa vida é inaceitável, tanto quanto a das internas do convento. Vivemos num sistema opressor, que escraviza as pessoas. E dizer que as pessoas, todos os 7 bilhões de seres humanos, são escravos não é questão de opinião, é fato. Não dá para discutir que quase ninguém trabalha porque quer, no emprego que quer e faz o que quer com o dinheiro que ganha. Trabalhamos porque somos obrigados, porque o Sistema nos impõe, seja diretamente, pois sem trabalho não ganhamos dinheiro e assim restringimos e muito as condições materiais a nossa disposição, seja indiretamente, ao ser marginalizado pela sociedade aquele que não trabalha. Se isso não bastasse, pouquíssimos são aqueles que trabalham no que gostam e pouquíssimas são as mercadorias que são compradas livremente. Num real estado de liberdade desejaríamos muito menos, do ponto de vista material, do que desejamos e compramos. Compramos o que compramos porque somos, através da coerção social, obrigados e porque sofremos com apelo emocional midiático. Somos, portanto, escravos: fazemos coisas que não queremos (o trabalho), para obter algo que não quereríamos naturalmente (o dinheiro), para obter com ele, mercadorias que não desejamos realmente. Mas como a Igreja se usava de dogmas como desculpa para escravizar as internas dos conventos, o Sistema em que vivemos também se usa de dogmas para este fim: “A democracia em que vivemos, por pior que seja, é o melhor sistema possível”, “O anarquismo é uma utopia”, “O dinheiro é necessário para incentivar as pessoas a fazer as coisas.”, entre outras.... A escravidão moderna, portanto, a qual todos estamos submetidos, é vista como boa, por mais absurdo que isto possa ser.

Há, também, paralelo com o fato de os pais levarem as filhas até o convento. Na nossa realidade são os pais que introduzem os filhos neste mecanismo doente, através do incentivo a competição, a compra. E em ambos os casos, tanto os pais do filme levando suas filhas para o convento quanto da nossa realidade, fazem isto cegamente, porque acham que realmente é o melhor para seus filhos.

São as desculpas que o Sistema vigente usa para se manter, os dogmas citados anteriormente, que, junto de outros mecanismos, prendem a população. Embora esteja submissa à uma prisão física, através do uso de violência para coibir manifestações, impor interesses imperialistas a países pobres, a população está muito mais presa psicologicamente, como estavam as internas do filme. A população tem medo de mudar, de sair às ruas, pois quem o faz é ridicularizado, é considerado louco. Hoje a sina do revolucionário é lutar pelo povo e ser por ele ridicularizado. Além disto a população, vitima da escravidão, contribui, através do consumismo, imposto pela mídia através de artimanhas psicológicas, com a própria escravidão.

Na situação retratada pelo filme a classe dominante, as freiras, criavam formas para que a classe dominada, as internas, não pudessem criar laços afetivos e trocar idéias, impossibilitando a tomada da consciência de classe. Podemos transpor isto para a nossa realidade. O tempo de trabalho a que somos submetidos, muito maior do que seria necessário se toda a tecnologia que já existe fosse colocada em prática, (já se diz que em pouco tempo o Ser humano não precisaria mais trabalhar), além da profusão de entretenimento ao nosso alcance, diminuem e muito a troca de idéias e a criação de laços afetivos, diminuindo a quantidade de pessoas conscientes quanto a sua condição de oprimidos. Além da criação da alienação (“interna”) quanto a consciência de classe, cria-se a alienação (“externa”) quanto ao verdadeira estado das coisas: quase nada sabemos sobre o verdadeiro estágio da tecnologia que já existe, poderíamos muito mais com o que já existe, mas que não é de interesse comercial.

Para finalizar as comparações entre o filme a nossa realidade traço um paralelo entre as freiras e a burguesia, classes dominantes das suas respectivas realidades. A relação que faço é que ambas são, também, vítimas da sua realidade, do seu Sistema. Enquanto que as freiras são vítimas dos dogmas religiosos como as internas, a burguesia é vítima, tanto quanto o proletariado, do dinheiro. Exemplo interessante, do próprio filme, que explica por que a burguesia é também vítima do dinheiro é o momento em que as internas Bernardette e Rose fogem do convento. Na fuga encontram-se com a irmã Bridget, que pega a chave que daria a fuga às internas. Sob uma ameaça de morte ela continua segurando a chave, mas quando é oferecida a chave do cofre em troca da chave para sair do convento, ela aceita soltar. Assim são os burgueses: preferem o dinheiro à própria vida, são enlouquecidos pelo dinheiro.

Não é, portanto, consciência de classe que devemos tomar, mas consciência de Humanidade. Todos, do mais rico ao mais pobre são, juntos, vítimas de algo superior, o Sistema Monetário. Não é uma luta da classe oprimida contra a classe opressora que deve ser empreendida, mas uma luta da humanidade contra o seu inimigo comum, o Dinheiro. Uma revolução das internas do convento contra as freiras resolveria o problema daquelas internas, mas todo o Sistema se manteria funcionando, só uma luta das internas e das freiras juntas poderia resolver o problema. Assim é em nossa sociedade: uma revolução para tirar do poder aqueles que nos dominam teria que acabar com as hierarquias (junto das instituições), pois apenas acabar com os que hoje nos dominam só serve para colocar outros a nos dominar.    

É interessante observar que a realidade terrível mostrada no filme é bastante próxima, em muitos sentidos da realidade que vivemos. Pode-se ver o filme como uma alegoria da nossa realidade. E transpor uma realidade degradante externa à nossa para a nossa realidade é um bom modo de nos darmos conta de qual é, em verdade, a realidade vivida por nós. É como mostrar a um paraplégico, que por não poder mover a cabeça não pode nem mesmo saber que é paraplégico, embora sofra as conseqüências de sê-lo, um outro paraplégico. Mostrar ao primeiro o quanto aquele sofre e dizer “Assim é a sua vida.”

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Ontem assisti à segunda metade de “Zeitgeist Moving Forward”.E bom, o documentário estava falando sobre a importancia da igualdade social e mostrava várias taxas que se modificavam de acordo com a maior igualdade social de um país: quanto mais igualitário o país há menos obesos, menos doentes mentais, menos viciados, enfim, vários dados. E um que chama a atenção entre estes vários dados: quanto mais igualitário é o país maior a criatividade das pessoas.

Pense bem nisto e verá o quanto isto incrível! Pois este dado prova que o Ser Humano não é competitivo por natureza! Pois se o Ser Humano fosse competitivo quanto menos igualitário maior a criatividade, pois os de baixo fariam de tudo pra chegar em cima e os de cima fariam de tudo pra se manter em cima. Mas não! A criatividade é maior em países mais iguais, onde há maior COOPERAÇÃO!
Faça o que quiser, desde que não prejudique ninguém, há de ser tudo da Lei.

Mas e existe alguma ação que não prejudica ninguém?

Sim, as baseadas no Amor!

Logo, se tudo que é baseado no Amor é certo, siga o seu Coração. Com Amor qualquer coisa é certa.

Se te questionar “Será que é certo eu fazer isto?”, questione-se se é com Amor. Se é com Amor, sim, é certo fazer isto.

Por mais que num primeiro momento esta não pareça ser a ação correta ela é sim, a mais certa. Mais cedo ou mais tarde ela vai mostrar-se a mais correta.

Pois notem que o Amor é a forma pela qual a Consciência Maior age sobre nós.

Pensem no Mundo material como um pedaço de tecido. Estamos sob o pedaço de tecido e sobre este tecido está Deus, como um Sol. Pois para Deus chegar até nós ele precisa passar pelo tecido e, para isto ele faz furos neste tecido. Os furos são o Amor. Os furos são o que, em meio ao mundo material, Deus possa chegar até nós. Pois pense agora que Deus está a fazer estes furos para chegar até nós, mas nós podemos colaborar fazendo mais furos no tecido!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Podemos criar estratégias para melhorar a educação.

Podemos criar estratégias para melhorar a saúde.

Podemos criar estratégias para diminuir a violência.

Podemos criar estratégias para diminuir os problemas ambientais.

Mas a estratégia para acabar com todos estes problemas já está criada: Projeto Vênus.
E só depende de NÓS colocá-la em prática.

Conheça o Projeto Vênus através do Movimento Zeitgeist.

Combate ao tráfico

Com objetivo de acabar com o tráfico, há 40 anos o Mundo declarou Guerra às Drogas. Deu certo? Não. O problema só aumentou. O que antes era um problema só de Saúde, hoje é de Saúde e de Segurança. Infelizmente precisamos esperar 40 anos para notar que esta estratégia é um erro. Na realidade apenas alguns notaram, outros continuam pensando que esta guerra só não deu certo porque não foi intensa o bastante e segundo estes, portanto, deve-se intensificá-la.

Acredito que deve-se acabar com a Guerra às Drogas, mas acredito que só isto não basta, é necessário, também, legalizá-las. Há anos ouço falar da legalização da maconha, mas só há pouco tempo ouvi falar da legalização de todas as drogas. Num primeiro momento é difícil gostar da idéia de tornar legal “monstros” como cocaína, heroína, crack ou óxi. Mas analisemos a situação. Primeiro que o fato de ser ilegal pouco dificulta a aquisição de drogas por parte do usuário, quem quer comprar compra. E agora listemos os problemas causados pela existência do tráfico de drogas:
                - morte de inocentes, traficantes e policiais quando da invasão da Polícia nas áreas dominadas pelo tráfico;

                - morte dos “X-9”, aqueles que deduram os traficantes;
                - morte de traficantes na guerra entre facções por território;

                - introdução de armas de fogo em regiões onde antes estas não existiam.

                - a venda das drogas;
Observe bem quantos destes problemas continuariam existindo se a Guerra às Drogas terminasse hoje. Dos problemas listados, as mortes de inocentes, traficantes, policiais e “X-9” deixariam de existir com o fim da invasão das favelas por parte da Polícia. Continuariam existindo a venda de drogas, a morte de traficantes devido a guerra existente entre as facções criminosas e a introdução de armas de fogo em regiões onde estas não existiam.

Mas agora observe que, ao legalizar as drogas, dois destes problemas deixariam de existir e um continuaria existindo mas diminuiria em intensidade. O tráfico terminaria, e com ele acabariam as guerras entre traficantes e a introdução de armas em comunidades onde antes estas não existiam. E a venda de drogas deixaria de ser um problema tão grande na medida em que a venda das drogas seria controlada e poderiam ser adotadas estratégias de tratamento para viciados com o uso das próprias drogas (o que hoje é impossível visto que são tratamentos ilegais). Entre estas estratégias estariam, por exemplo, a diminuição progressiva no “peso” da droga usada pelo viciado (o viciado em crack passa a usar cocaína, depois maconha, por exemplo), o que tornaria o processo menos brusco e mais eficaz; usar maconha para amenizar crises de abstinência de outras drogas mais pesadas; centros de utilização controlada de drogas. No Canadá existem centros assim, o viciado utiliza a droga em um ambiente protegido, com médicos, utilizando, se forem drogas injetáveis, seringas limpas (diminuindo a incidência de doenças transmissíveis por seringas compartilhadas, como a AIDS) e, de quebra, estão a disposição, nestes centros, profissionais destinados a tratar o vício. Quando o viciado quiser, ele procura estes profissionais. Com a legalização das drogas poderia se começar a usar a maior arma de combate ao vício: as próprias drogas.

E por que o Estado então não legaliza de uma vez as drogas se são tantas as vantagens?

Primeiro: as guerras entre traficantes e Polícia e ente as próprias facções criminosas, e isto é confirmado por uma autoridade policial no documentário “Uma Guerra Particular”, serve como forma de repressão preventiva, por assim dizer, da população das favelas, formada por pessoas que anseiam por condições melhores de vida, que desejam sentir a presença do Estado não só através da Polícia. Ou seja: a guerra contra o tráfico mantém o favelado preso na favela, sem que incomode a gente “do asfalto”.

Segundo: só na cidade do Rio de Janeiro mais de cem mil pessoas tem seu ganha pão no tráfico de drogas. Com o fim do tráfico o que se faz com tanta gente desempregada que só se soma à já grande parcela sem emprego da sociedade? Seria um problema bem grande para o Estado. (aliás: um operário do tráfico, além de correr, constantemente o risco de ser morto, recebe um salário pequeníssimo e tem carga-horária, algumas vezes, de 18h diárias. É impossível não achar que só está nesta profissão por falta de opção. Mais um motivo para se dar a culpa pela existência do tráfico ao Estado.) A situação só piora ao considerar-se o fato de que seriam milhares de desempregados que sabem manusear armas, muitos deles ainda teriam as armas que usavam quando eram traficantes e com o instinto violento que os garantia vivos no seu antigo “emprego”. Seria uma quantidade enorme de desempregados e potencialmente violentos.

Terceiro: com o fim do tráfico não haveria mais desculpas para o Estado não entrar nas favelas e agir lá para melhorar a vida destas comunidades.
Quarto: numa estrutura mais “macro” poderia colocar como problema ainda, o fato de ser de grande interesse das máfias multinacionais, a produção de armas e munições.

Poderia se dizer, para resumir, que tratar a droga como algo satânico e que merece a guerra como solução é muito mais simples do que tratar a droga de forma consciente. E esta satanização das drogas, aliás, é bem identificada nas campanhas publicitárias que simplificam uma questão tão complexa em frases como “Diga não às drogas”, “Crack nem pensar”. A mídia não estimula a discussão sobre o tema, que tornaria a população muito mais consciente dos riscos causados pelas drogas. Comparando: deveria se tratar este problema como um trauma psicológico, que só é curado quando trazido do inconsciente para o consciente; o problema “drogas” ainda está no “inconsciente” da sociedade e a mídia, má terapeuta que é, não faz nada para tirá-lo de lá.   

É, portanto, interessante observar o quanto mais cômodo é, para o Estado, a existência do tráfico de drogas. O quanto este, que é um dos maiores problemas da nossa Sociedade, serve para o Sistema. E é nosso dever exigir que os políticos saiam da sua zona de conforto!

sábado, 23 de julho de 2011

Esqueça os preconceitos. Lembre-se que para a verdade existir ela não precisa que alguém acredite nela, já para a mentira existir ela precisa que alguém nela acredite. O Sol nascerá amanhã, você acreditando ou não. Portanto duvide de tudo que escrevo. Mas não se esqueça de duvidar também de todas as suas crenças. Desacredite de tudo que no final a verdade simplesmente nascerá.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O BEM COMO FINALIDADE NÃO BASTA. É NECESSARIO TAMBÉM O BEM COMO MEIO

Ultimamente venho assistindo a vários documentários e filmes retratando questões sociais. Na verdade a maioria retrata, especificamente, a violência das favelas brasileiras, com maior foco nas cariocas. Mas há ainda os documentários da série “Zeitgeist”, retratando questões mais globais, além de uma entrevista com o João Sem Terra, militante do MST e o documentário “Ao Sul da Fronteira”, sobre os governos esquerdistas da América Latina.

E óbvio que ao deparar-me com os problemas retratados nestes filmes e documentários o sentimento que predomina é o de revolta. E muito desta revolta vem pela percepção de que quem tenta mudar o que é mal sofre. Quem tenta melhorar pena, perde, morre. Por que a realidade tem que ser assim? Já fui pessimista de carteirinha, mas mudei. Hoje acredito com todas as minhas forças no bem, na mudança do que está errado! Mas por mais que pense nisto, que deseje isto, não consigo ver este bem.... Tudo piora! Mas o pior de tudo é: quem tenta mudar pena! Quem tenta melhorar sofre. Perde. Morre. Pois isto além de punir quem não merece desestimula novos “melhoradores" do mundo. Por que?!

Mas percebo, no meu otimismo de tentar achar um erro nesta lógica, que o erro destes benfeitores sofredores está nos meios! No modo pelo qual querem atingir o bem. Os fins destas pessoas são corretos, mas os meios estão errados. Pois usam-se de mal para obter o bem! Compare o número de mortes entre policiais, que se usam de violência para acabar com a violência das favelas, e membros de projetos como o Afroreggae, que se usa da arte, da alegria para atingir o mesmo objetivo. E tente comparar, agora uma comparação mais subjetiva, qual dos dois consegue atingir seus objetivos com maior eficácia.
                                                         
E lembro das, que talvez sejam, as maiores figuras do século 20: Gandhi, Madre Teresa e Mandela. Ambas obtiveram sucesso na sua busca pelo bem. Por que eles obtiveram sucesso e tantos outros não? Porque eles usaram-se dos meios certos! Usaram-se do Amor e da Paz tão somente!

Claro que poderia citar vários exemplos de pessoas que tinham objetivos lindos e, mesmo usando-se dos meios certos, penaram. Chico Mendes e Martin Luther King são dois exemplos: mesmo usando-se dos meios corretos, acabaram assassinados. Isto pode acontecer sim, mas por que cogitar esta possibilidade? Por que?! Se pensar nisto só lhe tolherá as forças para vencer! Esqueça esta possibilidade! Ela não te trará nenhum benefício! É como pensar que um avião pode agora cair sobre tua cabeça. Sim, isto pode acontecer, mas pensar nisto não te fará bem nenhum, só fará de ti um paranóico! Me dê UM motivo para ser pessimista e serei. Me dê UM motivo para pensar que o mal prevalecerá e pensarei. Não existem motivos para pensar nestas possibilidades. Sigamos os exemplos de Gandhi, Mandela, Madre Teresa, Chico Mendes, Martin Luther King e esqueçamos que existe a possibilidade de perder. Objetivemos o bem, busquemos este objetivo através do bem e vençamos.

E aos que pensam que no final o mal sempre vence eu digo: o mal nunca vence! É que ainda não deu tempo do bem virar o jogo! Mas a hora está chegando! Tenho certeza!!!

E outra mensagem aos desesperançados que pensam que o mal reside no Ser Humano: lembre-se que este período caótico de guerras, desarmonia, competição, teve início com o princípio da “civilização”, na Mesopotâmia, há uns 8 mil anos. Mas o Homo sapiens existe há mais ou menos 200 mil anos. Ou seja, este período é só uma pequena fase na história da humanidade. E esta fase predatória vai acabar, mais cedo ou mais tarde.  

Objetive o bem, use os meios certos e tenha a certeza da vitória! Duvidar dela não trará nenhum bem.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Seção: Social

Há dias atrás uma mulher e seu filho de 2 anos e 8 meses ficaram reféns de traficantes numa favela de Porto Alegre. O fato é triste, muito triste. O vício não tem distinção de nível econômico, intelectual... O vício é bem democrático até (pelo menos isto é democrático neste país).


Mas o que me chamou a atenção foi o depoimento do delegado responsável pelo caso: "Como pai, todo mundo fica comovido encontrando uma criança, no meio de uma favela, num dos lugares mais perigosos de Porto Alegre, de pé descalço, mal vestido no frio do Rio Grande do Sul."


Me chamou a atenção porque existem várias crianças vivem no meio de favelas, nos lugares mais perigosos que pode-se imaginar, e muitas delas andam de pés descalços, mal vestidas... Por que elas não geram tanta comoção? Porque não são brancas, nem filhas de sociólogias ou netas de professoras universitárias.


E não estou aqui para culpar o delegado. Só chamo a atenção para este caso, para esta fala, porque ela é prova de que sim, vivemos numa sociedade racista e cheia de preconceitos. Não estamos livres disto.

No dia em que fatos tristes ocorridos com um empresário ou com um gari, com uma criança de pele clara ou escura, gerarem igual comoção perante a sociedade, aí sim podemos ter esperança de um futuro melhor.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Seção: Social

Reassiti o filme “Tropa de Elite”. Mas com a visão das coisas que tenho hoje pode-se dizer que o assisti pela primeira vez.

Há pouco tempo coloquei neste blog um comentário sobre o documentário “Complexo: Universo Paralelo”, que mostra a realidade do Complexo do Alemão no Rio. Este documentário mostra o lado do traficante na guerra ao tráfico. Mostra que o traficante não é o monstro que pensamos que é, que ele faz o que faz visando melhores condições de vida, principalmente, para os filhos e para a comunidade. E o documentário mostra ainda o problema que é, para as comunidades pobres, as ações da polícia.

Já no filme “Tropa de Elite” é mostrado o lado do policial nesta história. Primeiro, a corrupção que existe entre os policiais devido o péssimo salário pago a quem tem que enfrentar o que os policiais enfrentam. E segundo que os policiais tem que seguir o que manda o governo, por mais ridícula que seja a ordem, como é o caso do filme, em que o BOPE deve assegurar a estadia do Papa, em visita ao Brasil, numa favela perigosa do Rio. E ao Governo não importa se esta ordem dada à polícia trará mortes a inocentes ou não. O Governo está longe, distante do povo e da polícia, tanto faz o que acontecer com estes, só o que interessa ao Governo são os seus interesses e os seus votos.

Ver os dois lados da moeda é difícil. Muito mais simples é ver somente um dos lados, considerar um o lado “bom” e outro o lado “mau”. Mas esta visão é simplista, limitada, errada. As coisas não são assim, nada é assim. Os policiais não são maus, como não o são os traficantes. Ambos tem suas razões.

Como podemos culpar um traficante que tinha como única outra opção acordar cedo, pegar horas de ônibus lotado, trabalhar exaustivamente o dia todo para, no fim do mês, receber quantia quase insuficiente para sustentar os filhos? Como culpá-lo, se quando criança, as pessoas mais respeitadas da sua comunidade, as únicas pessoas que ele via usando roupas da moda, eram traficantes?

E como podemos culpar o policial corrupto se a propina recebida num dia é mais do que o misero salário honesto de um mês inteiro, que mal sustenta sua família? Como podemos culpá-lo se todos seus colegas fazem o mesmo?

Ambos estão certos de forma errada. Mas ambos estão certos porque o Sistema está errado! Num Sistema correto matar, morrer, não pode ser certo, isto só pode ser certo num Sistema errado. Não é por nada que erros (ser corrupto, ser assassino) são as únicas ou as melhores opções. É o sistema consumista, capitalista, baseado na escassez, vigente hoje em todo o Mundo, que permite que estas inversões aconteçam.

Portanto o conteúdo da última postagem, em relação a esta, é bem diferente, mas a mensagem final é a mesma. Se na última postagem citei o funk dos MCs Cidinho e Doca “O Povo tem a força, precisa descobrir, se eles lá não fazem nada faremos tudo daqui.”, agora cito um trecho do Hino da Internacional, mas que diz, basicamente, a mesma coisa:

“Façamos nós por nossas mãos,
Tudo que a nós nos diz respeito”

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Seção: Partido Quântico

Mais uma interpretação de "Todas as Canções".
Rafael "Neco Cande": Vocal/Guitarra
Vini Bernardes: Vocal/Baixo
Toreti: Bateria
*o Leo Turra, o tecladista, ainda não apareceu mas aparecerá.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Seção: Documentários e Comentários

COMPLEXO: UNIVERSO PARALELO
Realizado pelos irmãos Mario e Pedro Patrocínio, ambos portugueses, o documentário “Complexo – Universo Paralelo”, de 2011, retrata o cotidiano do Complexo do Alemão, favela carioca com aproximadamente 300.000 habitantes.

Enquanto a mídia em geral trata as operações policiais nas favelas como salvadoras, os policiais como heróis, os traficantes como sanguinários e os favelados como ninguém, este documentário nos dá outra visão deste mundo afastado dos holofotes, direcionados sempre à Zona Sul do Rio. O filme dá vida ao favelado, mostra quem é, o que sente, o que pensa, o que deseja, como vive, dá alma à gente do morro; mostra qual o resultado das operações policiais no morro: medo e morte, só!; e quem é o traficante: alguém sem escolha, sem perspectiva, sem futuro, que quer algo diferente para os filhos e para a comunidade.

O documentário retrata muitas vidas do Complexo, ele dá nome aos números. Seu Zé, migrante nordestino, um dos primeiros moradores do local, que faz MUITO mais pela comunidade que qualquer político já fez. É o nome dele que deveria estar em placas e outdoors espalhados pela cidade, não o de políticos, na maioria, inúteis. Dona Célia, desempregada, mãe de oito filhos, que dá lição de desapego, esperança, fé, luta! Não são as fábulas novelescas que deveriam ser mostradas à população, mas a vida dela. MC Playboy, músico que pensa a favela, que representa a favela, que descreve a favela, as injustiças e problemas da favela. É a música dele que deveria representar o Brasil no exterior não as “garotas de ipanema” que descrevem a realidade de uma minoria da população. 

Mas acho que o que mais me chocou no filme foram as entrevistas com os traficantes. Mudaram minha visão sobre eles, agora os entendo (acredito eu). Acabei de acimentar a minha crença de que não existem pessoas más (crença que já vem de tempos) com este princípio budista que ouvi do Lama Padma Samten há pouco tempo: “Todas as pessoas aspiram a felicidade, mas algumas usam meios errados pra obter a felicidade.” Este princípio encaixa-se perfeitamente para os traficantes. Só o que eles querem é o bem. O bem dos filhos e da comunidade. E conseguem! Talvez não da melhor forma, mas conseguem. Pois para os moradores, traficante é sinônimo de segurança e policial de medo. 
Qualquer coisa que eu disser não vai conseguir resumir o que eles disseram, portanto aí vão algumas falas de alguns dos traficantes entrevistados:

Eu não nasci bandido não, ninguém nasceu bandido. Eu jogava bola como qualquer outro dos meus colega. Sou cria como todo mundo, cria daqui, ta me entendedo? Foi isso [o tráfico] que eu escolhi pra mim? Foi. Ta me entendendo? Não adianta me arrepender, foi o que eu quis, eu falei, eu tenho personalidade própria. Paz eu pedia antes de ser traficante, quando eu trabalhava. Que eu ia deitar sabendo que eu tinha que acordar 5 horas da manhã pra trabalhar e não conseguia porque polícia tava na favela. Tinha que sair pra ir trabalhar, me paravam ali embaixo e falavam que a minha marmita que eu tava carregando na minha mochila tava escondendo [drogas] pra sair do morro. O que mais me deixa revoltado é que por que que eles não vem na madrugada trocar tiro? Só tem traficante na rua. Por que que eles não vem de madrugada? Deixa pra vim 11 horas da manhã, 4 hora, 4 e meia da tarde, hora que criança ta vindo do colégio. Eles sabe que nós não é covarde.”

Fica engraçado porque as gente fica por aí achando ‘Por causa de que que nós viramo traficante?’ E por causa de que que eles viraram polícia?! Se tem tantas outras opções pra eles? Manuseia arma que nem nós, mata que nem nós.

A gente sabe que eles [os policiais] não vem pra resolver problema, eles vem pra tirar vida e não importa quem!”

O morador é intocável, o morador tem que ser respeitado. As crianças tem que ser cultivada. Entendeu? A comunidade em si tem que ser protegida.

Meu sonho é ser feliz mano. Ver minha comunidade tranqüila, ver minhas crianças crescendo, pra eles ter uma creche pra poder estudar, ter uma piscina pra mergulhar, ter um afroreggae pra poder dançar. Ter o que eu não tive nunca, mano. Entendeu? Já que eu não posso mudar o mundo, vou tentar mudar a minha comunidade, ajudando a construir. Se eu não construo nada eu ajudo a construir, eu ajudo a cultivar,eu ajudo fazer eles crescer de uma forma diferente, de uma forma que eu não cresci. Porque ao invés de dar uma arma na mão duma criança, de brinquedo, eu prefiro dar uma bola, prefiro dar uma bicicleta, prefiro dar um bagulho... que não incentiva nunca eles a dar tiro na polícia. Só que a própria polícia incentiva eles. Sabe como? Entrando na casa de um menor de 10 anos e dando tiro na cara do pai dele. Como é que ele vai crescer? Com amor no coração?

Os traficantes não viraram heróis pra mim não. Eles agem deforma errada, suas atitudes causam problemas, eles são sim criminosos sim. Mas pelo menos a intenção deles é boa. É ajudar, aos filhos e à comunidade. Os policiais, a mando dos governos, nem boa intenção têm. Eles não querem ajudar. Querem esconder um povo que “atrapalha” a vida dos “da Zona Sul”.

Não, minha gente, o Brasil não é o que você vê na novela das 8. Não, policial, traficante e favelado não é o que você vê nos noticiários.

Pense bem sobre tudo isso. Não, melhor que “pensar bem”: REpense bem. Se só “pensarmos” continuaremos baseados na lógica midiática, que é, sem dúvida, muito mais colorida e fácil de entender do que é a realidade. REpense e tente ver a verdade.

E não digo isto tudo para ficarem pensando “Oh céus, em que mundo vivemos?! Como posso viver feliz sabendo que tudo isto está acontecendo?!” Não! É que a verdade é o primeiro passo para mudarmos a situação. A verdade triste de hoje é a realidade feliz de amanhã! A situação nunca vai mudar se não soubermos que situação é esta. E podemos sim mudar! Na real mudar não, mudar pouco adianta. Nós temos é que revolucionar! E os MC’s Cidinho e Doca já deram a receita para a revolução em seu grandioso funk “Rap da Felicidade”:

O povo tem a força, só precisa descobrir,
Se eles lá não fazem nada, faremos tudo daqui.

E outra grande mensagem que os moradores da favela nos deixam, e que é mostrado no filme é a seguinte: “A nossa vida é difícil, mas não é triste. Somos felizes!” As pessoas transpiram união, alegria, simplicidade. Certa vez li um texto do Fernando Meirelles, diretor do filme “Cidade de Deus”, em que ele dizia que o período mais feliz da sua vida foi os dois anos em que ele viveu na favela Cidade de Deus para as filmagens do seu longa de grande sucesso. E os MC’s Cidinho e Doca resumiram no seu, já citado, funk, esta lição que vem da favela:

Eu só quero é ser feliz,
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, é.
E poder me orgulhar,
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar.”


Finalizo com uma frase pintada em algum muro do Complexo do Alemão, que é mostrada no documentário:

"Aproveite o seu tempo para fazer o bem. Pois este será o bem que você aproveitará do tempo que a vida lhe dar. Faça o bem. Ame!"

Gustavo Toreti

sábado, 11 de junho de 2011

Seção: Partido Quântico

Gravações de ensaio da banda Partido Quântico. Todas as músicas são da banda. Em breve virão vídeos mostrando toda a banda. Aguardem....

Rafael "Neco Cande": guitarra e vocal
Vinicius Bernardes: baixo e vocal
Leonardo Turra: teclado
Gustavo Toreti: bateria


                                                                       
                                                                       
                                                                                                           
                                                                 

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Seção: Documentários e Comentários

Ontem assisti ao documentário Zeitgeist. E resumo o que senti ao assistir o filme em uma palavra: revolta!
Revolta contra os maiores empresários do mundo, que são quem determina como será as nossas vidas.
Mas e o que fazer quanto a isto?
É um sentimento terrível: revoltar-se contra algo tão terrível e contra o qual pouco pode-se fazer.
O que me restava a fazer, tomado de tamanha revolta, era: escrever.
Pensei em fazer algum poema baseado nesta revolta.
Mas então dei-me conta de que o poema que queria escrever já está escrito!

O hino do Partido Comunista, "A Internacional", diz tudo que queria dizer.
Aí vai a letra e um vídeo com a interpretação do hino pela banda Garotos Podres, ilustrado brilhantemente.

De pé, ó vitimas da fome!
De pé, famélicos da terra!
Da idéia a chama já consome
A crosta bruta que a soterra.
Cortai o mal bem pelo fundo!
De pé, de pé, não mais senhores!
Se nada somos neste mundo,
Sejamos tudo, oh produtores!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Senhores, patrões, chefes supremos,
Nada esperamos de nenhum!
Sejamos nós que conquistemos
A terra mãe livre e comum!
Para não ter protestos vãos,
Para sair desse antro estreito,
Façamos nós por nossas mãos
Tudo o que a nós diz respeito!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Crime de rico a lei cobre,
O Estado esmaga o oprimido.
Não há direitos para o pobre,
Ao rico tudo é permitido.
À opressão não mais sujeitos!
Somos iguais todos os seres.
Não mais deveres sem direitos,
Não mais direitos sem deveres!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Abomináveis na grandeza,
Os reis da mina e da fornalha
Edificaram a riqueza
Sobre o suor de quem trabalha!
Todo o produto de quem sua
A corja rica o recolheu.
Querendo que ela o restitua,
O povo só quer o que é seu!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Nós fomos de fumo embriagados,
Paz entre nós, guerra aos senhores!
Façamos greve de soldados!
Somos irmãos, trabalhadores!
Se a raça vil, cheia de galas,
Nos quer à força canibais,
Logo verá que as nossas balas
São para os nossos generais!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Pois somos do povo os ativos
Trabalhador forte e fecundo.
Pertence a Terra aos produtivos;
Ó parasitas deixai o mundo
Ó parasitas que te nutres
Do nosso sangue a gotejar,
Se nos faltarem os abutres
Não deixa o sol de fulgurar!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Seção: Fotografias

Sapiranga - Março de 2007
Gustavo Toreti

Seção: Obras Primas

CANÇÃO PARA MINHA MORTE

Música incrível da banda gaúcha Os The Darma Lóvers.
Composição: Nenung

Quando então a minha morte chegar
Me abraçar como uma mãe abraça um filho
Quero poder só sorrir e dizer, foi tudo bem eu também vou tranquilo


Quando a mente se desvincular
Dessa forma aparente ilusória
Quero poder lhe cantar ao partir
Sim, foi bom mas chegou sua hora


Dona Morte

Quando o espaço sem fim então me tragar
Que eu vá feliz sem arrependimento
Sem entender já sem querer olhar pra trás
Só mergulhado na imensidão do momento

Quando seu corpo já não me encontrar
No que fui durante muito tempo
Fique feliz e apesar da saudade
Pois logo mais talvez nós nos veremos
Dona morte
Não tenha pressa!
Estou treinando pra poder sair
Sem tropeços no final da festa
Dona morte
Não tenho medo!
Se compreendo que a sua natureza,
É tão igual a essa que carrego em segredo

Seção: Filosofadas

SOFRIMENTO

Provo agora que o Ser Humano gosta de sofrer.
Alguém é obrigado a assistir ao noticiário da televisão? Não. No entanto a grande maioria assiste. O que se vê nestes noticiários? Sofrimento. Basicamente isto. Pois são dois os tipos de notícias úteis: as que nos deixam felizes e as que nos mostram realidades tristes que podem ser modificadas por nós. Nos noticiários poucas notícias se encaixam num desses dois requisitos.
Outra coisa. Alguém é obrigado a torcer para algum time de futebol? Não. No entanto quase todos tem seu time. E ao se torcer para um time tem-se o objetivo, ou de sofrer, ou de se fazer o outro sofrer. Pois quando o seu time perde, você sofre, o que é óbvio, mas quando ganha, além de se sofrer para ganhar (pois a vitória sempre é sofrida) quer-se ver o adversário, o rival sofrer (sim, sadismo).
Estes dois são apenas exemplos que confirmam que nós Seres Humanos gostamos de sofrer. Claro que se deixarmos de assistir ao noticiário ou se deixarmos de torcer para um time não seremos as pessoas mais felizes do mundo. Mas se tanto sofremos com situações do dia-a-dia, com coisas que muitas vezes fogem do nosso alcance por que sofrer mais ainda? E até acho que existem situações em que não escolhemos sofrer mas sofremos mesmo assim (embora isto seja discutivel, talvez possa se dizer, sim, que todo o sofrimento é opcional, mas daí já fica mais complexo, deixo pra outros discutirem...)
Gustavo Toreti

terça-feira, 24 de maio de 2011

Seção: Literatura

A REBELDIA ESTÁ MUDADA

A rebeldia está mudada.

Jovens pedem assinaturas

Para criar novo partido.

O Da Libertação nacional.

Por independência do imperialismo,

Por uma indústria nacional forte,

Por um Brasil que necessita só do Brasil para crescer!



Jovens visionários, Jovens revolucionários.

Observo-os atentamente: admiro-os.

Observo-os mais atentamente: decepciono-me.

Nos pés dos jovens, pares de Nike.

A rebeldia está mudada.
Gustavo Toreti

Bolhas

            Dezenas de cheiros, na maioria ruins, centenas de sons, na maioria irritantes, milhares de passos, na maioria rápidos. Multidão de pessoas, na maioria tristes, irritadas, cansadas, com medo, com fome. Mas a elas é como se, ao seu redor, nada existisse. No universo em que, naquele instante, residem, existem apenas três coisas: elas mesmas, o destino ao qual querem chegar e o chão que os leva até lá. Como que envoltos em uma bolha, nada ouvem, nada sentem, nada cheiram, nem a criança pedindo uma moedinha pro pão, nem o vendedor que, insanamente, grita.


            Mas naquele universo de bolhas ambulantes há um vento de esperança. Um vento de mudança. Um som que, na maioria das vezes é só um som, uma bonita melodia. Mas em meio às milhares bolhas isolantes, aquele assovio representava a arte em meio à rotina, a contemplação em oposição à correria.


            Sim, era som de esperança, de mudança, mas poucos deram-se conta do que representava. Poucos viravam o rosto em direção à fonte do som. O máximo que pensavam aqueles poucos que se aventuravam a dar atenção aquela arte era: “louco”.


            Aquele som, representante da esperança de um mundo menos caótico, menos chato, mais alegre, mais belo, como que uma agulha, tinha por dever furar aquelas bolhas de desinteresse e indiferença. Mas a agulha, afiada e afinada para cumprir seu papel, não furou. Não findou a indiferença, não terminou com a chatice da correria rotineira daqueles cidadãos.


            E todos os cheiros, sons, passos, luzes, sombras, melodias, vôos, sorrisos, seguiam indiferentes para os passantes.
Gustavo Toreti