Mas naquele universo de bolhas ambulantes há um vento de esperança. Um vento de mudança. Um som que, na maioria das vezes é só um som, uma bonita melodia. Mas em meio às milhares bolhas isolantes, aquele assovio representava a arte em meio à rotina, a contemplação em oposição à correria.
Sim, era som de esperança, de mudança, mas poucos deram-se conta do que representava. Poucos viravam o rosto em direção à fonte do som. O máximo que pensavam aqueles poucos que se aventuravam a dar atenção aquela arte era: “louco”.
Aquele som, representante da esperança de um mundo menos caótico, menos chato, mais alegre, mais belo, como que uma agulha, tinha por dever furar aquelas bolhas de desinteresse e indiferença. Mas a agulha, afiada e afinada para cumprir seu papel, não furou. Não findou a indiferença, não terminou com a chatice da correria rotineira daqueles cidadãos.
E todos os cheiros, sons, passos, luzes, sombras, melodias, vôos, sorrisos, seguiam indiferentes para os passantes.
Gustavo Toreti
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