sexta-feira, 27 de maio de 2011

Seção: Documentários e Comentários

Ontem assisti ao documentário Zeitgeist. E resumo o que senti ao assistir o filme em uma palavra: revolta!
Revolta contra os maiores empresários do mundo, que são quem determina como será as nossas vidas.
Mas e o que fazer quanto a isto?
É um sentimento terrível: revoltar-se contra algo tão terrível e contra o qual pouco pode-se fazer.
O que me restava a fazer, tomado de tamanha revolta, era: escrever.
Pensei em fazer algum poema baseado nesta revolta.
Mas então dei-me conta de que o poema que queria escrever já está escrito!

O hino do Partido Comunista, "A Internacional", diz tudo que queria dizer.
Aí vai a letra e um vídeo com a interpretação do hino pela banda Garotos Podres, ilustrado brilhantemente.

De pé, ó vitimas da fome!
De pé, famélicos da terra!
Da idéia a chama já consome
A crosta bruta que a soterra.
Cortai o mal bem pelo fundo!
De pé, de pé, não mais senhores!
Se nada somos neste mundo,
Sejamos tudo, oh produtores!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Senhores, patrões, chefes supremos,
Nada esperamos de nenhum!
Sejamos nós que conquistemos
A terra mãe livre e comum!
Para não ter protestos vãos,
Para sair desse antro estreito,
Façamos nós por nossas mãos
Tudo o que a nós diz respeito!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Crime de rico a lei cobre,
O Estado esmaga o oprimido.
Não há direitos para o pobre,
Ao rico tudo é permitido.
À opressão não mais sujeitos!
Somos iguais todos os seres.
Não mais deveres sem direitos,
Não mais direitos sem deveres!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Abomináveis na grandeza,
Os reis da mina e da fornalha
Edificaram a riqueza
Sobre o suor de quem trabalha!
Todo o produto de quem sua
A corja rica o recolheu.
Querendo que ela o restitua,
O povo só quer o que é seu!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Nós fomos de fumo embriagados,
Paz entre nós, guerra aos senhores!
Façamos greve de soldados!
Somos irmãos, trabalhadores!
Se a raça vil, cheia de galas,
Nos quer à força canibais,
Logo verá que as nossas balas
São para os nossos generais!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Pois somos do povo os ativos
Trabalhador forte e fecundo.
Pertence a Terra aos produtivos;
Ó parasitas deixai o mundo
Ó parasitas que te nutres
Do nosso sangue a gotejar,
Se nos faltarem os abutres
Não deixa o sol de fulgurar!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Seção: Fotografias

Sapiranga - Março de 2007
Gustavo Toreti

Seção: Obras Primas

CANÇÃO PARA MINHA MORTE

Música incrível da banda gaúcha Os The Darma Lóvers.
Composição: Nenung

Quando então a minha morte chegar
Me abraçar como uma mãe abraça um filho
Quero poder só sorrir e dizer, foi tudo bem eu também vou tranquilo


Quando a mente se desvincular
Dessa forma aparente ilusória
Quero poder lhe cantar ao partir
Sim, foi bom mas chegou sua hora


Dona Morte

Quando o espaço sem fim então me tragar
Que eu vá feliz sem arrependimento
Sem entender já sem querer olhar pra trás
Só mergulhado na imensidão do momento

Quando seu corpo já não me encontrar
No que fui durante muito tempo
Fique feliz e apesar da saudade
Pois logo mais talvez nós nos veremos
Dona morte
Não tenha pressa!
Estou treinando pra poder sair
Sem tropeços no final da festa
Dona morte
Não tenho medo!
Se compreendo que a sua natureza,
É tão igual a essa que carrego em segredo

Seção: Filosofadas

SOFRIMENTO

Provo agora que o Ser Humano gosta de sofrer.
Alguém é obrigado a assistir ao noticiário da televisão? Não. No entanto a grande maioria assiste. O que se vê nestes noticiários? Sofrimento. Basicamente isto. Pois são dois os tipos de notícias úteis: as que nos deixam felizes e as que nos mostram realidades tristes que podem ser modificadas por nós. Nos noticiários poucas notícias se encaixam num desses dois requisitos.
Outra coisa. Alguém é obrigado a torcer para algum time de futebol? Não. No entanto quase todos tem seu time. E ao se torcer para um time tem-se o objetivo, ou de sofrer, ou de se fazer o outro sofrer. Pois quando o seu time perde, você sofre, o que é óbvio, mas quando ganha, além de se sofrer para ganhar (pois a vitória sempre é sofrida) quer-se ver o adversário, o rival sofrer (sim, sadismo).
Estes dois são apenas exemplos que confirmam que nós Seres Humanos gostamos de sofrer. Claro que se deixarmos de assistir ao noticiário ou se deixarmos de torcer para um time não seremos as pessoas mais felizes do mundo. Mas se tanto sofremos com situações do dia-a-dia, com coisas que muitas vezes fogem do nosso alcance por que sofrer mais ainda? E até acho que existem situações em que não escolhemos sofrer mas sofremos mesmo assim (embora isto seja discutivel, talvez possa se dizer, sim, que todo o sofrimento é opcional, mas daí já fica mais complexo, deixo pra outros discutirem...)
Gustavo Toreti

terça-feira, 24 de maio de 2011

Seção: Literatura

A REBELDIA ESTÁ MUDADA

A rebeldia está mudada.

Jovens pedem assinaturas

Para criar novo partido.

O Da Libertação nacional.

Por independência do imperialismo,

Por uma indústria nacional forte,

Por um Brasil que necessita só do Brasil para crescer!



Jovens visionários, Jovens revolucionários.

Observo-os atentamente: admiro-os.

Observo-os mais atentamente: decepciono-me.

Nos pés dos jovens, pares de Nike.

A rebeldia está mudada.
Gustavo Toreti

Bolhas

            Dezenas de cheiros, na maioria ruins, centenas de sons, na maioria irritantes, milhares de passos, na maioria rápidos. Multidão de pessoas, na maioria tristes, irritadas, cansadas, com medo, com fome. Mas a elas é como se, ao seu redor, nada existisse. No universo em que, naquele instante, residem, existem apenas três coisas: elas mesmas, o destino ao qual querem chegar e o chão que os leva até lá. Como que envoltos em uma bolha, nada ouvem, nada sentem, nada cheiram, nem a criança pedindo uma moedinha pro pão, nem o vendedor que, insanamente, grita.


            Mas naquele universo de bolhas ambulantes há um vento de esperança. Um vento de mudança. Um som que, na maioria das vezes é só um som, uma bonita melodia. Mas em meio às milhares bolhas isolantes, aquele assovio representava a arte em meio à rotina, a contemplação em oposição à correria.


            Sim, era som de esperança, de mudança, mas poucos deram-se conta do que representava. Poucos viravam o rosto em direção à fonte do som. O máximo que pensavam aqueles poucos que se aventuravam a dar atenção aquela arte era: “louco”.


            Aquele som, representante da esperança de um mundo menos caótico, menos chato, mais alegre, mais belo, como que uma agulha, tinha por dever furar aquelas bolhas de desinteresse e indiferença. Mas a agulha, afiada e afinada para cumprir seu papel, não furou. Não findou a indiferença, não terminou com a chatice da correria rotineira daqueles cidadãos.


            E todos os cheiros, sons, passos, luzes, sombras, melodias, vôos, sorrisos, seguiam indiferentes para os passantes.
Gustavo Toreti